segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

XIII - XADREZ


“Muito mais que um jogo... Uma arte”

Mover. Andar. Atacar. Defender. Avançar. Recuar. Proteger. Controlar. Manipular... Um jogo complexo demais para que todos saibam seus truques; Poderoso demais para que alguém possa escapar; Preciso; Rápido; Único. Este jogo de xadrez não é simplesmente jogado por mera descontração, ou por divertimento; É preciso que, todos os dias, mova-se ao menos uma peça... O jogador não pode desistir de seu próprio jogo.

Peças e mais peças jogadas em cima da mesa, dispostas uma a destruir a outra, sem a menor piedade; Sem o menor sinal de culpa ou vontade; Só é preciso escolher, mandar, ordenar, esperar que uma faça um movimento em falso e... Pronto. A desordem neste jogo é muito comum; E é por este motivo que os bons jogadores são tão bem sucedidos na vida.

Cada jogador, com suas peças, tenta controlar as ações do outro; Tenta destruir as defesas, atacar o comando, e terminar este jogo impossível. Cada peça, estrategicamente – ou não – colocada em campo, para suprimir o “inimigo”, vê-se frustrada graças às investidas do adversário. Este jogo é estranho... Como criar uma estratégia envolvente o bastante para embaralhar a sua própria mente?

Este jogo de xadrez é estranho... Não é fácil o bastante pra que se haja um ganhador, nem difícil demais para que não se queira tentar ganhar.

– x –

Sempre fui um seguidor da ideia de que, na nossa vida, a influência do destino não é plena; Acho, é claro, que há algo reservado para cada indivíduo, mas que nem todos o conseguem atingir. O destino de nossas vidas é um tabuleiro de xadrez, por onde caminham nossas próprias escolhas, vontades, desejos, problemas, sentimentos e ações; E que, deste meio, não podem sair.

Dispostos sobre o destino, estão as nossas peças... Insubstituíveis, características, e únicas. Cada uma tem o seu próprio valor, nos dando possibilidades de sucesso – ou não.

Peões, assim como vontades, são numerosos, porém fracos. Por isso nem todas as vontades nos satisfazem.

Torres, como nossas escolhas, não são tão numerosas, mas são muito importantes: É o que nos faz seguir em frente, desviar dos obstáculos e dos perigos, e é a única peça que pode trocar de lugar com o Rei. Se não houver nada no caminho, claro.

Bispos, comparados aos desejos, são os que nos fazem sair de nossas escolhas. Andar furtiva e infinitamente por entre os caminhos transversais, e cercar nossos objetivos.

Cavalos, como nossos problemas, passam por cima de todos, tomam diversos rumos, se esgueirando entre peças e peças, cercando e suprimindo. É fácil ser dominado pelos problemas...

O Rei. Quem manda, o alvo de tudo... São como nossas ações. Podemos ir a qualquer lugar com nossas ações, porém, um passo de cada vez. Nossas ações não nos levam, efetivamente, ao nosso principal objetivo. Deve-se proteger as ações, assim como se faz com o Rei, uma vez que, sem ele, você não é nada.

A Rainha. Tão importante para o seu jogo, tão valiosa, tão temida, tão poderosa... Pode ser comparada aos nossos sentimentos. Os sentimentos verdadeiros nos arrastam para qualquer lugar, seja qual for a distância, esteja quem estiver no caminho; Nossos sentimentos são nosso guia, são o que nos faz buscar nossos objetivos, e conseguir. Os sentimentos são furtivos, e ao mesmo tempo, perigosos.

Porém... Este – e qualquer – jogo de xadrez não se joga sozinho. Seu adversário é previsível, visto que você o conhece melhor do que ninguém; Sabe o que ele é capaz de fazer, planejar e surpreender. Seu adversário é único, pois este jogo não pode ser jogado com qualquer um.

Você joga contra você mesmo. É por isso que é tão inevitável perder, ou tão impossível de ganhar; Se você ganha, você perde, e vice-versa.

O jogo da sua vida é assim: Você está dos 2 lados, fazendo escolhas, seguindo caminhos, desejos, sentimentos... Lutando contra você mesmo, para chegar ao seu objetivo. É impossível ganhar, se você for seu próprio adversário.

Nunca há um adversário. Sempre será você contra você mesmo, disposto a neutralizar a si mesmo, com golpes bem estruturados, preparados e armados. E, no fim, quem sofre sempre é você.

Um tabuleiro, várias peças espalhadas, e um só jogador, contra si mesmo.

Você sabe que fim isso vai levar?

Será?

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