domingo, 27 de dezembro de 2009

XII - PALAVRAS


“O que as entrelinhas da sua vida, querem dizer com suas palavras?”


Palavras. Várias, muitas; Infinitas. Palavras escritas ao bel prazer de uma pessoa, quando querem, como querem, e sem se importar com seus impactos; Palavras escritas, ou com tinta dourada, ou com sangue. Mas ainda são palavras.

O que são palavras, se não a essência dos sentimentos, ou o veículo da mentira? Palavras são esguias e traiçoeiras, e há muitas – muitas – mal escritas em sua vida. Quem nunca passou por situações, onde palavras mal interpretadas, palavras mal usadas, palavras mal colocadas, te levaram a algo despretensiosamente indesejável? Ou, pior, muito pior, quem nunca foi levado a uma situação indesejada, quando as palavras que deveriam ser ditas, não foram? Mas sempre há um jeito de concertar os estragos; Afinal, ainda são palavras.

Há palavras que podem salvar uma vida; Há palavras que podem destruir outra; Há palavras, que fazem ambas as coisas ao mesmo tempo. As palavras não são mutáveis, não são difíceis nem tampouco falam por si; Falar ou escrever palavras é fácil, muito fácil, e qualquer um pode fazer... Mas como usá-las para falar muito mais do que se quer dizer? Como usar as palavras para descrever algo que está dentro de si, e não somente o que você se permite dizer corriqueiramente? Afinal, são palavras.

O maior problema não é escolher as palavras certas; As palavras bonitas; As palavras impactantes. O problema é carregá-las de verdade... Quantas vezes dizemos palavras só por dizer? Quantas vezes usamos palavras de outros só para impressionar ou convencer? Quantas vezes, as palavras dizem o que você não quer dizer? Suas palavras devem ser muito bem estudadas e escolhidas, carregadas com o que realmente se quer dizer... Afinal, uma vez ditas, não se pode simplesmente sumir com elas; Elas deixam marcas; Sinais; Impactos, que você não poderia apagar jamais, mesmo que queira.

Pois é... Palavras.

– x –

Escritas em um papel de carta, em cima da escrivaninha; Ditas aleatoriamente em bocas e mais bocas de casais apaixonados; Representadas numa brincadeira de criança; Presentes na vida de cada um. As palavras não são simples o bastante para serem explicadas por si mesmas, e nem tão complexas demais que nenhuma pessoa possa expor cada uma das suas. As palavras são mágicas e poderosas, e por isso, merecem tanta atenção, carinho e cuidado.

Quanto mais escrevo, mais percebo que isso é um exercício, digamos, inútil. Sobre tantos desejos, sentimentos e situações quero falar com as minhas palavras, que elas se tornam vagas e imprecisas. Todas as minhas palavras são verdadeiras, e por isso continuo escrevendo, tentando dizer algo que, eu imagino, nem todos entendam.

Há muito tempo tento dizer o que, de verdade, desejo; Mas não consigo. Há muito tento descrever o que está acontecendo comigo; Mas não consigo. Há muito escrevo para contar para não sei bem ao certo quem, o que ou qual, mas escrevo para contar a alguém o que eu estou tentando dizer a dias; meses; anos. Mas não consigo. Eu nunca consigo.

E eu sei o porque.

Sempre senti e vivi as emoções mais fortes e complexas do mundo; Sempre mantive em minha vida as melhores sensações do mundo; Sempre tentei proporcionar aos outros, algo do qual se lembrarão por ser o que lhe satisfazia. E sempre tentei descrever tudo isso com palavras. Somente palavras, esses organismos pequenos e frágeis, tão, digamos, insignificantes, perante tudo isso pelo qual vivo todos os dias.

As palavras são simples e insignificantes, e tentam descrever sentimentos complexos e infinitos. Como é possível?

A verdade. Só a verdade torna uma formiga, um gigante; É ela quem interessa, sempre. Presente nas palavras, torna-as aptas a realizar a missão mais complicada do mundo: Traduzir os sentimentos para algo compreensível para a humanidade.

As palavras são difíceis e já fogem da minha mente. Ecoam silenciosamente em meus pensamentos, e estão presentes em casa esquina de cada rua; Elas estão em todos os lugares!
Mas... Você sabe ler além do que está escrito?

Pense bem...

Afinal, são só palavras.

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