segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

X - PECADOS


“O corpo é uma mera ferramenta para saciar os desejos da alma”


Os desejos são intensos; As vontades, incessantes. Os desejos queimam; As vontades, pulsam. Os desejos fortes, causam as vontades mais absurdas. Cada ser humano, ao vasculhar sua mente, pode se lembrar de um momento em que fez algo que considera pecado.

É fato que os pecados têm uma forte conotação religiosa, já que, no livro sagrado, temos as maiores citações de “certo e errado”; Porém, não podemos nos prender a essa ideia, de que os pecados são somente ditados nas histórias bíblicas; Cada ato que julgamos fora da conduta correta e coerente, pode ser considerada como um pecado, sem o menor problema.

A formalidade nos diz que pecados são, somente, coisas ruins que nós, seres humanos, podemos realizar. Besteira... Há, sim, aqueles pecados que não tem perdão; Mas se pensarmos, de um ponto de vista, digamos, alternativo, os pecados só são realizados porque queremos a felicidade a curto prazo.

Infelizmente, pecamos quando menos queremos e percebemos... E quase sempre não é nossa culpa. Os olhos vão atrás da luxúria; Os músculos clamam pela preguiça; Os lábios se deliciam com a gula; O corpo é esculpido pela vaidade; A respiração arfante, de inveja; A voz grita, com a ira; Os punhos cerrados, avarentos... Cada pedacinho de nosso corpo reage instintivamente, frente aos pecados. As reações são diversas, e quase nunca podem ser consideradas ruins.

Se errar é humano, e todos concordam com isso; E que pecar é um erro cometido por nós, é certo dizer que, irremediavelmente, pecaremos, das mais diversas formas, mesmo que lutemos contra isso?

Fato. Pecar pode não ser tão ruim assim.

– x –

Luxúria(lu.xú.ria) sf Sensualidade, lascívia.

É impossível parar de olhar para você, deslumbrante como sempre foi. Eu tento – juro que tento – prestar atenção em outras pessoas, na decoração, mas não: Cada parte do seu corpo chama meu olhar, como um imã, potente e indiferente às minhas reais vontades... Como pode alguém ser assim, tão bela? É quase uma injustiça com as outras, presentes aqui...

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Preguiça(pre.gui.ça) sf 1. Propensão para não trabalhar; 2. Aversão ao trabalho; indolência.

Abro os olhos e noto que nada está diferente: Tudo seguindo aquela velha rotina. Acordar cedo, levantar correndo, me arrumar correndo, sempre correndo... Ninguém merece isso. Quero ficar aqui, deitado, só mais 5 minutos, vendo minha vida passar, como um filme antigo diante dos olhos, sem ter mais nada pra fazer... Preciso de férias, definitivamente.

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Gula(gu.la) sf 1. Compulsão para comer ou beber em excesso; 2. Grande amor a boas iguarias.

Sinto, sinceramente, que poderia ficar aqui o dia inteiro, somente experimentando o que cada um pode me oferecer. Mas um me chamou a atenção; Nunca havia me sentido tão completo como me sentia agora... Deste “prato” posso me fartar, pelo resto da vida... É doce, suculento, macio... Perfeito. Como não o descobri antes?

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Avareza(a.va.re.za) sf 1. Apego exagerado ao dinheiro, sovinice; 2. Mesquinhez.

Abrir mão daquilo era difícil, quase impossível. Ninguém em sã consciência deixaria que aquilo escapasse de suas mãos como eu estava disposto a o fazer; Mas talvez eu esteja louco, de fato; Abrir mão daquilo era algo difícil, mas não impossível, e eu o fiz: Minha avareza tinha um limite claro e delimitado, e já que o limite havia sido quebrado por mim mesmo, nada mais justo que deixar aquilo fugir.

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Ira(i.ra) sf Paixão que nos incita contra alguém; Cólera, raiva, ódio, fúria.

A princípio, eu quis gritar; espernear; bater; brigar... Mas para que tudo isso? Aquilo valia tanto a pena assim? Claro que valia. É claro que valia... Se sentir vivo era algo que todo mundo deveria experimentar um dia, para entender o que é perder aquilo, bruscamente. A raiva tomava cada centímetro do meu corpo, mas eu estava impotente; Eu precisava estar assim, para não fazer nenhuma besteira.

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Inveja(in.ve.ja) sf 1. Misto de ódio e desgosto, provocado pela prosperidade ou alegria de outrem; 2. Desejo de possuir um bem que outro possui ou desfruta.

Por muito tempo, tive certeza que este era o meu pecado capital. Sempre tive problema em aceitar que alguém era mais feliz do que eu, ou que alguém tinha algo que eu quis, muito... Mas hoje vejo que isso é bobagem. Hoje, eu luto pela minha felicidade, indiferente a dos outros; Luto pelo que eu quero, independente de alguém ou algo; Hoje, minha inveja está muito mais ligada a quem consegue: Minha vontade é a de conseguir tudo que quero, e nem sempre isso é possível.

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Vaidade(vai.da.de) sf 1. Fatuidade; 2. Vanglória, ostentação; 3. Presunção; 4. Futilidade; coisa vã.

Quando foi a última vez que tirei um tempo para pensar em mim? Não me lembro... Desde que comecei a colocar a felicidade dos outros na frente da minha própria, que a vaidade deixou de ser uma das minhas regras pessoais. Fui muito vaidoso quando pensei que poderia ser feliz assim, mas tudo bem. Valeu a pena tanto sacrifício.

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Na minha concepção, um pecado legítimo não tem fundamento religioso. O pecado é, na verdade, algo que fazemos, que atinge negativamente alguém ou algo.

De fato, já pequei várias vezes.

Não me preocupo tanto com isso... Eu sei que pecar é – digamos assim – natural. Não se pode agradar a todos, em todos os momentos, em tudo que fazemos... O máximo que conseguimos é agradar a maioria. Mas sempre haverá uma pessoa descontente com você, indiscutivelmente.

Havia chegado a um ponto em que, essa pessoa, descontente comigo, era eu mesmo; Maquiava-me para agradar o máximo de pessoas – ou ao máximo uma só. Isso não dá certo. Antes de tudo, seja feliz, esteja satisfeito consigo mesmo, para poder dividir tal satisfação com outra(s) pessoa(s), e ser feliz por isso.

De fato, já pequei várias vezes. Mas não me arrependo.

Cada passo que dei me levaram a estar onde estou. Cada passo que dei me trouxeram novas perspectivas para a vida, algumas boas, outras nem tanto. Cada passo que darei me levarão mais perto da felicidade, e é isso que basta.

Ser feliz. Este é, sem dúvida, o meu maior pecado.

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