segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

VII - AMOR


Amor (a.mor) (ô) SM 1. Afeição acentuada de uma pessoa por outra; 2. Objeto de afeição; 3. Sobrecomum pessoa amada; 4. Zelo, cuidado.
Minidicionário Soares Amora

Penso insistentemente porque as pessoas tentam decifrar, de maneira científica, sentimentos tão complexos e mutáveis como o amor. Como pode ser possível abrir a página de algum livro, e ir direto no significado de algo que não vemos, não tocamos, não cheiramos, não degustamos; Somente sentimos e, mesmo assim – somente assim –, é mais que o suficiente para ser compreendido? Sinto que a perda do real sentido do amor é o maior culpado para as tragédias do mundo, e que, por isso, pagamos um preço tão caro hoje.

A tradução para, o que considero, o sentimento mais completo e poderoso do mundo, está muitas vezes ao nosso redor, e nem reparamos. Nossa rotina triste, robótica, automática, venda nossos olhos e cerra nossos ouvidos para as belezas do mundo, ofuscadas por nós mesmos. O cantar dos pássaros em cima das árvores das praças da cidade... As nuvens, cambaleando lenta e desordenadamente, seguindo os rumos do vento, num casamento perfeito... A luz do sol por entre as folhas das plantas, formando sombras vivas em nossas próprias cabeças... O vento que sopra e toca, suavemente, cada parte de nossos corpos à deriva, nas ruas já não tão calmas das cidades... Formigas, desenhando teias nas paredes dos edifícios e no tronco das árvores... Os insetos coloridos... As folhas secas... Tudo presente na natureza vem se complementando para mostrar, de modo palpável e real, o que o amor pode representar em nossa vida.
“ JULIETA — Romeu!
ROMEU — Minha querida?
JULIETA — A que horas, cedo, devo mandar alguém para falar-te?
ROMEU — Às nove horas.
JULIETA — Sem falta. Só parece que até lá são vinte anos. Esqueci-me do que tinha a dizer.
ROMEU — Deixa que eu fique parado aqui, até que te recordes.
JULIETA — Esquecê-lo-ia, só para que sempre ficasses ai parado, recordando-me de como adoro tua companhia.
ROMEU — E eu ficaria, para que esquecesses, deixando de lembrar-me de outra casa que não fosse esta aqui.”

Amar pode trazer uma pessoa de volta à vida. Amar pode transformar as pessoas. Amar pode causar as mais variadas sensações, corporais e espirituais. Amar pode ser o começo da felicidade eterna, ou do tormento infinito. Amar pode significar sacrifícios. Amar pode trazer mágoa, nos arrepiar, nos assustar. Amar pode nem sempre ser amor, mas transformar-se em algo mais forte e impulsivo. Amar exige dedicação, vontade, gosto e responsabilidade; Afinal, porque amamos, então? Simples. Uma pessoa que ama é capaz das maiores loucuras que qualquer um pode imaginar. Loucuras de amor nos fazem bem, nos completam, nos acariciam e nos tentam. Uma pessoa que ama é capaz de abrir mão de si, por quem – ou o que – ama, e isso pode ser considerado um ato extremamente bonito e benevolente. Uma pessoa que ama persegue sua felicidade, devagar, mas constantemente, e com resultados extremamente positivos.

"- Você é, agora, a coisa mais importante do mundo para mim. A mais importante de toda a minha vida." (Edward Cullen – Crepúsculo, p. 201)

O som do amor é o mais doce, calmo, gentil e perfeito que alguém pode escutar... Um jardim cultivado com amor chega a ter a beleza do Olimpo... O vermelho do amor, presente nas, um dia, brancas amoras de Píramo e Tisbe, banham a visão e a vida dos apaixonados... É doce como o néctar... É cheiroso como as rosas... É macio como as plumas... E cruel, como o tempo.

– x –

Eu posso me considerar uma pessoa completa, porque eu amo. E não, eu não falo somente da paixão, falo do amor. Amar não é somente desejar uma pessoa mais que tudo no mundo; É sentir o afeto que sentimos por nós mesmos, personalizado em outras pessoas. E eu sinto isso. Meu amor não é de uma só pessoa, é de todas as que me rodeiam; Cada uma com sua parcela, com seu pedaço, com uma parte de mim a cada lugar que vão. E por isso, posso dizer que sou feliz.

Sou um dos adeptos da ideia de que o amor é o melhor sentimento do mundo, e o mais cruel. Quando é recíproco, transforma as pessoas completamente, deixando-as dóceis, amigáveis e felizes. Quando está no coração somente de uma, alimenta a angústia e a incerteza que, aos poucos, consomem essa pessoa, de dentro pra fora, lenta e cruelmente.

Busco, até hoje, uma maneira eficiente de dizer “eu te amo”. Criar poemas é muito clichê, apesar de bonito; Criar frases é meio vago; Afinal, como fazer simples palavras reunidas numa frase representar toda essa complexidade que envolve o amor e os amantes?

Até hoje, não achei um meio mais eficiente que este, desculpe.

Eu amo você.


Créditos:
Romeu e Julieta – Willian Shakespeare
Crepúsculo – Stephenie Meyer

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