sábado, 19 de dezembro de 2009

IX - MEDO


“O que faz uma pessoa superar os desafios, e vencer seus próprios medos?”

A sombra do mundo, tão bem traduzida por um olhar assustado... O medo domina cada um dos seres vivos desse planeta, a qualquer momento, em qualquer circunstância; Intermitente, mas fatal. Este sentimento sombrio aflora no corpo e mente de cada um, e os domina; controla; maltrata; assusta.

Todos afirmam a mesma coisa: Que não tem medo de nada. Que isso é besteira, que quem tem medo é fraco... Mentira. A verdade é que, são eles os dominados pelo medo; Assumir que, este sentimento forte e sombrio os consome e controla de dentro para fora, e que não veem saída para tal situação, é impossível; O medo é forte e persistente; Irremediável.

Sendo assim, é fácil dizer que o medo é o pior mal do mundo, não é?

Claro que não.

O medo nos faz superar desafios, cautelosa, mas determinadamente. O medo consegue aflorar em cada pessoa, reações às mais diversas situações, e soluções para problemas sem sentido; O medo que consome e domina, libera os instintos de sobrevivência, tão bem ocultos pela etiqueta de cada dia; O medo que assusta, desperta; O medo caminha, em casamento, com o destino.

Se não houvesse medo no mundo, o que seria de nós? Seres destemidos, capaz de cometer os atos mais insanos e deteriorantes que uma pessoa pode pensar? Seres destemidos, muito mais irracionais que os que hoje povoam a superfície terrestre; Seres destemidos, com vontades obsoletas, retrógradas e animais.

A inteligência humana só nos faz perceber que, se não tivéssemos tanto medo do destino de nossas vidas, não teríamos tanto trabalho em viver; Se não tivéssemos medo do fim, não lutaríamos tanto para continuar vivendo, mesmo após sua chegada; Se não tivéssemos medo, não estaríamos aqui.

O medo é o combustível da vida. Sim, essa é uma de suas constantes; Pode pensar que o que te move são o amor e a amizade, mas não; Você só segue em frente quando tem medo do que pode vir, se continuar parado.

– x –

“Em verdade temos medo.
Nascemos escuro.
As existências são poucas:
Carteiro, ditador, soldado.
Nosso destino, incompleto.

E fomos educados para o medo.
Cheiramos flores de medo.
Vestimos panos de medo.
De medo, vermelhos rios
vadeamos.[...]”

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Em casa, olho pela janela e vejo a chuva torrencial que cai no meu jardim; Cada flor e folha ali, disposta às vontades do tempo, vão sendo torturadas pouco a pouco; Gota a gota; Tempo a tempo. Meu jardim, que se reergue aos poucos, novamente é maltratado sem piedade. O medo de o perder novamente toma conta de cada centímetro de meu corpo, impotente ao ver a chuva que cai e troveja.

-

“[...]Adeus: vamos para a frente,
recuando de olhos acesos.
Nossos filhos tão felizes…
Fiéis herdeiros do medo.”

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Ao te olhar, sinto o medo que te consome por dentro; Ou seria o meu medo, que toma conta de mim? São os meus olhos ou os seus que não dizem nada? É o seu silêncio que me destrói, ou a minha surdez que me ofusca? Não sei. O medo de estar aqui, novamente, não me deixa pensar em uma resposta melhor que essa...

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“[...]E com asas de prudência,
com resplendores covardes,
atingiremos o cimo
de nossa cauta subida.”

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As casas são todas iguais; Rachadas, mal iluminadas pela penumbra da noite; Todas a me olhar, andando pela rua tortuosa. Os sussurros se tornam mais incisivos, maldosos; Ficar ali não me agradava. Aquele caminho era diferente dos outros... Eu sei que preciso seguir por ele para chegar aonde quero, e vou seguir... Mas, o que é esse arrepio que sobe pela espinha e me domina?

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“[...]eles povoam a cidade.
Depois da cidade, o mundo.
Depois do mundo, as estrelas,
dançando o baile do medo.”

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Meu maior medo tomou forma e força; O que, há alguns meses, eu mais temia e me fez pensar muito para me deixar seguir em frente, aconteceu; Sinto-o como nunca senti algo em minha vida, dolorosamente aos poucos... Mas não posso e não vou deixá-lo me consumir. A felicidade que desejo para mim é mais forte que este sentimento angustiante, e isso me faz, mas uma vez, seguir em frente e chegar a uma solução.

Meu maior medo tomou forma e força; Senti meus pés suspensos, impotente.

Impotente?

Não.

Este medo foi meu companheiro esses últimos dias, e me fez superar qualquer coisa; Me faz superar qualquer coisa.

O medo nos torna pessoas estranhas e solitárias. Aos poucos, o medo que me acompanhava dá adeus a mim, e eu volto a viver minha vida, nas encruzilhadas das ruas mal iluminadas. Não vou voltar atrás, eu sei disso; E, apesar desta confusão, eu sou feliz.


E, sim; Tenho medo de ser feliz.
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Créditos:
Medo - Carlos Drummond de Andrade

1 comentários:

  1. HUHSAUSHUAHSUHAUSHA, o mesmo nome, o mesmo poema e a mesma imagem. :P

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